Sétima pessoa morta no desabamento do edifício Andrea é resgatada pelos bombeiros

Incessante, o trabalho de resgate das vítimas do desabamento do edifício Andrea, em Fortaleza, chegou ao 5º dia neste sábado (19). Na noite de ontem, quando já passavam de 80 horas de buscas, o Corpo de Bombeiros do Ceará confirmou a 7ª morte decorrente da tragédia: Vicente de Paula Vasconcelos de Menezes, de 86 anos.

Ele é esposo de Isaura Marques Menezes e pai de Rosane Marques de Menezes, ambas encontradas mortas sob os escombros, além de avô do primeiro resgatado com vida, Fernando Marques.

Em mais uma reviravolta nas listagens, no entanto, o comandante da operação, o coronel Eduardo Holanda, explicou que o número de desaparecidos foi atualizado para dois, já que uma das pessoas anteriormente reclamadas pela família não estava no prédio e foi localizada.

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Familiares e amigos se despedem de Maria da Penha, uma das vítimas da tragédiaFoto: Kid Júnior

“No início das nossas operações a gente trabalha sempre com vítimas reclamadas e chegou uma pessoa dando por falta de um irmão. Nós colocamos na lista e com o passar dos dias esse irmão não mais retornou. Mas mesmo assim, paralelamente com o trabalho de investigação, nós saímos a procurar essa pessoa colocada como vítima e hoje (ontem) nós localizamos e ela sequer estava no evento. No começo foi dito que era técnico de ar-condicionado, mas ela sequer trabalha com isso”, afirma o coronel Holanda.

Em um tom mais realista, mas sem perder a esperança, o comandante afirma que, passado todo esse tempo, as chances de encontrar alguém com vida são mais desfavoráveis.

Atualmente, as equipes trabalham em dois pontos ‘quentes’, conforme destaca, reforçando que os trabalhos só serão encerrados quando todas as vítimas forem encontradas. “Continuamos com o mesmo efetivo, o mesmo poder operacional, todos os equipamentos ainda, todo o apoio da comunidade, do Governo do Estado, Prefeitura e de todos os órgãos parceiros. É como se fosse pra gente o primeiro dia de operação. A gente só vai terminar quando tirar as duas vítimas que faltam. Pelo menos em duas vezes por dia a gente reforça os chamados pontos quentes e é la que a gente trabalha”, garante.

Despedida

Três das sete pessoas que morreram no desastre foram veladas ontem no cemitério Jardim Metropolitano, no Eusébio, Região Metropolitana de Fortaleza. As cerimônias de Nayara Pinho Silveira, 31, e de seu pai, Antônio Gildásio Holanda Silveira, 60; assim como de Maria da Penha Bezerril Cavalcante, 81, aconteceram no período da tarde, reunindo uma grande quantidade de pessoas no local.

Emoção, carinho e consternação foram os sentimentos comuns entre familiares e amigos presentes nos dois velórios. Parentes de Nayara e Gildásio não quiseram falar com a imprensa e o registro de imagens da cerimônia também não foi permitido.

No velório de Maria da Penha, muitos familiares e amigos dela e dos filhos, assim como membros de um grupo católico na qual ela fazia parte. Um dos familiares, que preferiu não se identificar, disse como Maria da Penha era uma pessoa tranquila e querida por todos. “Todo mundo amava a Penha. Era uma pessoa agradável, não falava de ninguém. Era tranquila e de bem com a vida”, comenta.

Recuperação

Entre as vítimas ainda internadas está Cleide Maria Carvalho, 60, funcionária de Maria da Penha. De acordo com a assessoria de comunicação do Instituto Dr. José Frota (IJF), até ontem ela apresentava quadro de saúde estável. Na mesma unidade de saúde se encontra Gilson Gomes, 53, que segundo informações do filho, Nazareno Façanha, já passou por duas cirurgias, no dedo do pé e no tornozelo, devendo se submeter ainda a mais procedimentos.

Francisco Rodrigues Alves, 59, está atualmente internado no Hospital Maternidade Dra. Zilda Arns Neuman (HMDZAN), depois de passar pelo Frotinha de Messejana. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), responsável pelo hospital, o paciente segue estável. Antônia Peixoto Coelho, 72, por sua vez, continua na UTI do Hospital Otoclínica em estado grave, segundo familiares.

Também ontem, Lucky, o cachorrinho da raça dachshund que havia sigo resgatado no mesmo dia da queda do edifício, não resistiu aos ferimentos e faleceu na clínica veterinária que recebia atendimento. O cão havia passado cerca de cinco horas soterrado nos entulhos. De acordo com a tutora do cachorro, Kátia Nogueira, Lucky tinha 10 anos e sofria de problemas cardíacos e hérnia de disco.

As circunstâncias relacionadas ao desabamento do Andrea seguem em investigação pela Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), por meio do 4° Distrito Policial (DP). Até o momento, 17 pessoas foram ouvidas, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).

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