Deputados querem penalizar colegas com perda de mandato quem trocar de partido fora da janela

O racha no PSL animou o “Centrão”, grupo que estaria criando dificuldades para o presidente Jair Bolsonaro formar um novo partido. Em reunião na Câmara dos Deputados, quarta-feira passada, dirigentes desse bloco discutiram as linhas de um projeto de lei que endurece a punição para deputados que mudarem de legenda. Não sem motivo: certos de que Bolsonaro deixará o PSL mais cedo ou mais tarde, políticos de centro-direita querem impedir que ele carregue os dissidentes para uma sigla em construção.
Alinhavada sob medida para atazanar a vida dos bolsonaristas, a proposta prevê que mesmo quem abandonar o partido pelo qual foi eleito para se filiar a uma legenda recém-criada perde o mandato Atualmente, parlamentares já correm esse risco, por infidelidade partidária, se não esperarem a chamada “janela” – período permitido para o troca-troca -, que é de seis meses antes da eleição.

Em atrito com a cúpula do PSL, Bolsonaro busca uma saída jurídica para deixar o partido sem que os deputados sejam prejudicados. Na Câmara, no entanto, o Centrão – que reúne partidos como DEM, PP, PL, PRB e Solidariedade – promete colocar um obstáculo no caminho do presidente, caso ele queira promover um “ataque especulativo” sobre os atuais partidos de centro-direita e levar os rebeldes do PSL para outra sigla. Em conversas reservadas, deputados desse bloco – que controla cerca de 230 dos 513 deputados – dizem que deixar Bolsonaro promover um processo de engorda de uma nova legenda, às vésperas de um ano eleitoral, seria um “tiro no pé”.

O desfecho das disputas municipais de 2020 é considerado o primeiro teste para o projeto de poder do presidente, que quer a reeleição. O maior desafio está em São Paulo, governado por seu adversário João Doria, pré-candidato do PSDB ao Planalto. Há, nos bastidores, uma articulação de bolsonaristas para pôr de pé o “Conservadores”, partido que deve surgir sob o guarda-chuva da antiga União Democrática Nacional (UDN), extinta após o golpe militar de 1964.

Mesmo assim, Bolsonaro e aliados tentam primeiro destituir o deputado Luciano Bivar (PE), que preside o PSL há mais de 20 anos, e controlar o partido.

“Quem quiser sair do PSL que saia, que Deus o leve, mas deixe o mandato com a gente”, diz o líder do PSL no Senado, Major Olímpio (SP). “Se pudesse dar conselho, eu diria: ‘Vá ser conservador puro e depois explique o que é isso’”. Para ele, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho “03” do presidente, estimulou uma conspiração para implodir o PSL. “Eduardo é um dos cabeças desse projeto de poder esquizofrênico”, acusa.

O senador diz não ter dúvidas de que uma proposta para punir com mais rigor os infiéis terá apoio para ser aprovada. “Junta esquerda, centro, maioria da direita e passa rapidinho. É caixão e vela na porta”.

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